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Fuerza Bruta: um espetáculo que veio quebrar barreiras no Rio

Após passar por 29 países e 56 cidades, o Fuerza Bruta chegou na última sexta (06) no palco do Metropolitan, no Rio de Janeiro. Sucesso de público e aclamado pela crítica, o espetáculo é apresentado brilhantemente em um formato de 360 graus em uma mistura de dança, música, efeitos especiais e acrobacias. A companhia argentina fica em cartaz no Brasil até o dia 19 de fevereiro e promete uma emoção incomparável ao público.

O projeto, além de inovador, quebra os paradigmas do tradicionalismo. Além da interatividade com o público, de forma avassaladora e criativa, o Fuerza Bruta rompe as barreiras do entretenimento, dando uma mostra de arte, música, dança e experimentação, o que fazem com maestria inacreditável. Não há nada igual sendo visto atualmente. O público pode se conectar ao ambiente em 360 graus e participar ativamente de todo o espetáculo.

Foto: Ana Carolina Jordão

Os sentidos também são amplamente explorados e a emoção é atingida de forma certeira. O Fuerza Bruta é um espetáculo crescente e envolvente na maneira em que se desenvolve ao vivo. Ele chega perto do público, além de emocionalmente, fisicamente, onde todos podem tocar e até dançar com os bailarinos em momentos do show. Talvez o maior desafio dos criadores do projeto não sejam as acrobacias elaboradas, o figurino, mas sim fazer o espectador ser liberto dele mesmo através das emoções, que são as mais diversas que se possa imaginar. Cada um lida com o seu interior de forma particular, enquanto está em um universo único criado artisticamente.

Foto: Ana Carolina Jordão

Tentando trazer a violência, a quebra de barreiras, o diretor conseguiu criar um belo espetáculo, com variações musicais que abrilhantam perfeitamente o Fuerza Bruta. As canções dão vida ao show e o tornam uma grande realidade, além de ser uma maneira de conectar o espectador diretamente a tudo que acontece. Tudo evoca a rapidez e a modernidade. A companhia conseguiu trazer desde acrobacias até performances urbanas, claramente fazendo alusão a festivais de rua, dando uma modernidade e frescor a apresentação, através de mudanças contínuas na atmosfera do ambiente.

Foto: Ana Carolina Jordão

Tentando agradar o público e trazer um pouco da cultura carioca ao cenário, a companhia convocou o grupo Afroreggae para o espetáculo. Durante a coletiva de imprensa, realizada nesta quinta (05), o diretor  Diqui James, exaltou o Brasil e o Rio e afirmou que o grupo carioca é a cara do Fuerza Bruta e a que conexão foi instantânea. “O Rio é festa, alegria, queríamos fazer essa conexão e dar mais brilho ao espetáculo. Mal podemos esperar para mostrar isso ao público. Estamos muito felizes de estar aqui.”, disse, mostrando animação.

 

ENTREVISTA DIQUI JAMES, DIRETOR ARTÍSTICO DO FUERZA BRUTA

Nós, do Blah Cultural, fizemos uma entrevista exclusiva com o diretor artístico Diqui James, e com o membro do Afroreggae, Elias dos Santos. Ambos contaram como é fazer parte da experiência do Fuerza Bruta e como a junção Brasil e Argentina se apresentará no Rio. Animado, o diretor falou que vir para a cidade maravilhosa era um sonho antigo e que pretende surpreender o público. “O Rio sempre foi meu sonho e uma inspiração, então automaticamente pensei em fazer uma versão especial, pois merece essa versão.”, disse animado.

Por que a escolha do Afroreaggae e o que eles tem a ver com o Fuerza Bruta ?

Diqui: Bom, estar aqui no Rio sempre foi um sonho. O Rio representa a festa, a música, a natureza, a sensualidade. Quisemos fazer um show inspirado no Rio, com mais festa, sensualidade e mais música. Começamos a ver como podíamos trabalhar com a parte da música, e nós gostamos do Afroreggae não só pela parte musical, mas pela organização e pelo que eles representa. Assim que os conhecemos pegamos muito a onda, achamos incrível e nos sentimos muito cômodos. Foi algo muito natural, que fluiu. Ficamos logo animados de fazer uma versão muito carioca do espetáculo.

Vocês buscam fazer essa troca em todos os lugares durante a turnê ou está acontecendo especificamente no rio ?

Diqui: Não e a primeira vez que fazemos, mas e muito difícil durante a turnê, fazer uma troca. Já viemos ao Rio e fizemos a comissão de frente da Grande Rio, no ano passado, e foi uma loucura, um sonho. Quando fomos à São Paulo também foi um sucesso e começamos a pensar, automaticamente, no Rio. A cidade sempre foi meu sonho e uma inspiração, então automaticamente pensei em fazer uma versão especial, pois merece essa versão. Com o verão do Rio, queria fazer algo bem festivo e molhado

Qual trecho do show vocês mais buscam impressionar o publico ?

Diqui: Há trechos do icônicos do show como o corredor e a piscina, que são os mais diferentes e o público gosta mais. O conceito geral de festa é o que o público mais vai gostar. A junção de festa, conjunção dos atores e a música vão deixar todos surpreendidos porque estamos fazendo um espetáculo super festivo. Com o calor, os cariocas, a festa, creio que vai ser muito interessante. Vai ser um tempero carioca total. Estamos aprendendo com os cariocas, e queremos seguir aprendendo, e por isso será um show especial.

O público nunca está perto o suficiente do show ou do artista, o Fuerza Bruta quebrou os padrões, nesse sentido, e as regras. É essa a mensagem final que vocês pretendem passar ?

Diqui: Sim, para mim o Fuerza Bruta é liberação, é todo tempo um sentimento de liberar-se. Trabalhamos o espaço para que o público se sinta dentro do show e que se sinta parte dessa liberação. O espaço é muito importante para trabalhar isso e manter o público junto. Essa e a barreira que quebramos.

Os atores falaram que cada um do público vê de uma maneira de muito particular o que acontece. Você acha que vocês querem passar uma mensagem ou vocês só tentam fazer com o que o público busque sua própria mensagem ?

Diqui: A nossa mensagem não e intelectual. Não estamos contando uma história. Cada um pensa o  que quer. Tentamos que o público tenha uma experiência particular. Cada um sente de uma maneira e espero que o público goste. Estamos muito ansiosos.

ENTREVISTA ELIAS DOS SANTOS, MEMBRO DO AFROREAGGAE

Como o Afroreggae se adaptou ao show, o que vocês trouxeram para o espetáculo

ELIAS: Está tendo uma troca muito interessante, pois tanto o Afroreggae quando o Fuerza Bruta falam quase a mesma língua. Mesmo sendo instrumentos diferentes, a sinergia é muito parecida, e isso começou no primeiro ensaio. Começamos a ter trocas, as pessoas começaram ter ideias e a trazer seu ritmo e eles se incluíram no nossos ritmo e nós no deles. Antes do espetáculo só tivemos 3 ensaios.

Qual a expetativa para essa parceria ?

ELIAS: A melhor possível. Estamos muito empolgados para esse show. Hoje no grupo somos 6 pessoas e estamos adorando.

O que vocês aprenderam que irão incluir no Afroreggae ?

ELIAS: Com certeza o trabalho em conjunto, a equipe. É incrível como eles fazem as cosias muito organizadas, sincronizadas. Isso, com certeza, vamos levar, pois é algo que estamos vendo e nos impressionando muito. É muito rápido e não tem marcação. Tudo é muito no olhar, não precisa falar que você precisa estar aqui ou ali; o outro quando, quando alguém esquece o figurino, já vem com ele pra você. Todos se ajudando sempre, isso você muito legal e a espontaniedade deles também.

Esse espetáculo está mais no padrão internacional ou vai trazer mais o batuque brasileiro com a participação de vocês ?

ELIAS: Traz o batuque brasileiro com certeza. Vai ter muita cosia brasileira, podem esperar.

O Afroreggae é internacionalmente conhecido. Já tocaram na Argentina antes dessa parceria ?

ELIAS: Já fomos a Argentina. Já fizemos três shows no país e fomos muito bem recebidos. Tocamos na maior praça de Buenos Aires e estava lotado. Fomos bem recebidos demais.

Mas vocês ficarão somente essa temporada no rio com eles ?

ELIAS: Aqui no Rio, sim. Estamos tendo outras conversas, mas isso e pra depois. Não podemos contar (risos).

Vocês tiveram algum contato ou  conheciam o trabalho do Fuerza Bruta antes ?

ELIAS: Nosso diretor artístico assistiu o espetáculo em Nova Iorque há dois anos. Aconteceu uma conversa, mas não rolou nada. Quando soubemos que eles viriam para o Rio convidamos o diretor artístico, Diqui James, para o nosso centro cultural, em Vigário Geral. Fizemos uma apresentação, mostramos a maioria do nosso grupo e ele ficou doido e disse que teria que colocar o que viu no espetáculo. Foi uma coisa de amor à primeira vista

O Diqui falou que o Fuerza Bruta rompe barreiras de uma maneira muito festiva. Vivemos em um mundo onde muitos rompem essa barreia com a violência, outros com a arte. A proposta deles não é muito parecida com o Afroreggae nesse sentido ?

ELIAS: Com certeza, o que costumamos dizer é que onde as pessoas veem violência, vemos cultura, arte e mudança. Hoje, infelizmente, toda comunidade é rotulada pela violência, e sabemos que a violência é uma realidade, mas existe uma luz fim do túnel. A maioria das pessoas que estão ali dentro não são marginais e não estão ali para atingir a sociedade. Posso dizer que sou fruto do Afroreggae e tive a vida modificada porque tive a oportunidade de me fazer presente dentro do grupo, e posso dizer que tem como mudar. Tem luz no fim do túnel, é só a sociedade acreditar, os governantes fazerem seus papeis de verdade que isso tem solução. O Brasil é um país jovem, que tem tudo pra mudar, para ser uma grande potência, e não é porque nos acomodamos. Não acontece porque nós brasileiros acabamos deixando para o outro o que deveriamos fazer.

 

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Jornalista formada pela PUC-Rio. Fotógrafa, Locutora. Editora de Música do Blah. Apaixonada por música e entusiasta da vida. Snapchat: caroljordao1 Instagram: caroljordao2