HomeDestaquesJosé Olympio lança romance de consagrado autor indonésio

José Olympio lança romance de consagrado autor indonésio

A vida da prostituta Dewi Ayu e das quatro filhas é marcada por estupros, incestos, assassinatos e fantasmas – muitas vezes vingativos. Ao contar essa história, o escritor indonésio Eka Kurniawan combina folclore, sátira, tragédia familiar e a formação da Indonésia, culminando no excelente A beleza é uma ferida.

Tradição e superstições também influenciaram a vida de Dewi Ayu, como a lenda da bela princesa Rengganis, que se casou com um cão e morava em Halimunda. Sua história serve como um aviso para mulheres bonitas na região. Séculos mais tarde, a beleza ainda é igualmente reverenciada e temida.

Os conflitos internos e políticos povoam as páginas do romance e descrevem o seu impacto na vida das pessoas comuns. Eka faz uma crítica mordaz ao passado conturbado da sua jovem nação: a ganância do colonialismo; a luta caótica para a independência; a ocupação japonesa; o assassinato de um milhão de “comunistas” em 1965, seguido por três décadas de governo despótico de Suharto. Nesse quase um século, o autor constrói um retrato dos tempos sombrios, e reconhece que o passado pode não ter acabado ainda. Contra as mortes daqueles anos e a amnésia coletiva usada para apagar o destino das vítimas, a ficção convoca sua legião de fantasmas.

Baseado em contos folclóricos, a voz inconfundível de Kurniawan – inspirada em Melville e Gogol – traz originalidade e relevância para a literatura contemporânea. Os personagens de Kurniawan são todos destinados ao desespero e à tristeza, e para a crítica internacional o resultado é uma leitura mais escura e desafiadora do que Cem anos de solidão. Kurniawan tem uma maneira perturbadora de inserir o sobrenatural no cotidiano, se deleita em obscenidade – nenhum tópico é poupado de sua marca satírica sanguinária.

A beleza é uma ferida é brutalmente inserido em um cenário devastador, de beleza idílica e violenta. Com paixão e ironia, Kurniawan oferece aos leitores o prazer na linguagem exuberante usada para descrever uma carnificina, defendendo simultaneamente a força necessária para sobreviver.

 TRECHO

“Numa tarde de fim de semana em março, Dewi Ayu levantou-se do túmulo onde estava enterrada havia 21 anos. Um menino pastor, acordando de uma soneca debaixo de uma pluméria, fez xixi nas calças e gritou, e suas quatro ovelhas saíram correndo feito loucas entre pedras e estelas de madeira, como se um tigre tivesse pulado no meio delas. Tudo começou com um ruído vindo de uma velha sepultura, de lápide sem inscrição e coberta de mata até a altura dos joelhos, mas todo mundo sabia que era o túmulo de Dewi Ayu. Ela morrera aos 52 anos, ressurgiu depois de morta durante 21 anos, e a partir de então ninguém mais soube como calcular exatamente sua idade.”

SOBRE O AUTOR

Eka Kurniawan nasceu e cresceu na Indonésia, na pequena cidade costeira de Pangandra. Estudou filosofia na Universidade Gagjah Mada e escreve romances, contos, roteiros de cinema e ensaios. Suas obras já foram traduzidas para 24 idiomas e seu romance A beleza é uma ferida esteve na lista dos 100 mais lidos do New York Times. Kurniawan foi o primeiro escritor indonésio a concorrer ao Man Booker International Prize.

A BELEZA É UMA FERIDA

Eka Kurniawan

Tradução: Clóvis Marques

Páginas: 462

Preço: R$ 69,90

Editora: José Olympio / Grupo Editorial Record

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Leandro não é jornalista, não é formado em nada disso, aliás em nada! Seu conhecimento é breve e de forma autodidata. Sim, é complicado entender essa forma abismal e nada formal de se viver. Talvez seja esse estilo BYRON de ser, sem ter medo de ser feliz da forma mais romântica possível! Ser libriano com ascendente em peixes não é nada fácil meus amigos! Nunca foi...nunca será!