Crítica de Série | Vikings (2ª Temporada) – Blah Cultural

Crítica de Série | Vikings (2ª Temporada)

Sabe, Ragnar Lothbrok (Travis Fimmel) é o maior guerreiro da sua era. Líder de seu bando, com seus irmãos e sua família, ele ascende ao poder e torna-se Rei da tribo dos vikings (um Earl). Além de guerreiro implacável, Ragnar segue as tradições nórdicas e é devoto dos deuses. As lendas contam que ele descende diretamente de Odin, o deus da guerra. Mas as coisas não param por aí. Além de ser uma espécie de Kratos, ou seja, Imparável no âmbito da guerra e estrategista como um senhor do Xadrez, o protagonista se faz plausível e de cócoras qualquer ser da dinastia de seus passados e antepassados ficariam, sim, curvariam diante de um senhor onde reina todos os elementos exemplares de um digno guerreiro.

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Todos sabemos que tudo basicamente gira em torno da família de Ragnar Lodbrok – que aliais realmente existiu é foi um rei que diga-se de passagem é semi-lendário da Suécia e Dinamarca que reinou durante os séculos VIII e IX – que por causa da ambição de seu patriarca (Ragnar) se envolvem em uma grande intriga contra o “Earl”, que o título de uma espécie de governador do era viking, de seu território, personagem que aliais é vivido pelo grande ator Gabriel Byrne.

A segunda temporada inicia-se exatamente de onde a primeira parou…Com Rollo (irmão de Ragnar) traindo ele de uma forma a juntar-se com outro Earl tão poderoso quanto na época. Estamos falando de Jarl Borg, vivido por um autêntico norueguês chamado Thorbjørn Harr. Jarl Borg era um importante senhor, um semi-rei das terras de Götaland, situada na Suécia. Históricamente falando, Götaland, Svealand e Norrland foram regiões importantíssimas no lado histórico de décadas atrás mas, não possuem atualmente funções administrativas, nem significado político, mas estão todavia presentes em contextos históricos e culturais.

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Jarl Borg é temido em todo o território do Norte Europeu e com isso, aliar-se ao mesmo seria a opção mais lógica. Eis que a guerra começa entre Jarl Borg e Ragnar Lothbrok (tendo o irmão Rollo contra ele) e a guerra dura praticamente quase 5 minutos de puro sangue rolando, cabeças também, redenções, situações estranhas e muita guerra. Mas nada é tão fácil assim, e ainda que o Rei Horik esteja do lado de Ragnar com seu pessoal, a traição de Rollo, custaria a derrota dos dois mais poderosos da Escandinavia contra Jarl Borg.

Entretanto, apesar de Rollo ter se arrependido, a guerra cessa, e Ragnar ao lado de Horik são derrotados e com isso, a estratégia de Ragnar é usar o que ele tem de melhor: Sua lábia. Ragnar é preciso em suas palavras ao gritar para Jarl e Horik e seu pessoal: POR QUE CONTINUAMOS LUTANDO? POR QUE CONTINUAMOS MATANDO NOSSO PRÓPRIO PESSOAL QUANDO TEMOS OUTRAS TERRAS PARA CONQUISTAR? SE VIAJARMOS PARA A INGLATERRA, TEREMOS MUITO MAIS A GANHAR E NÃO TEREMOS QUE MATAR NOSSOS JOVENS IRMÃOS NESTA GUERRA SEM FIM…E acredite…tais palavras tiveram tanto impacto que Jarl Borg aceitou o tratado de cessar a guerra e unir-se ao lado de Ragnar e Horik afim de conquistar as terras da Inglaterra…juntos por um único ideal…OURO E TERRAS FÉRTEIS.

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E então começam as intrigas onde Jarl Borg, Horik e Ragnar criam uma espécie de Game of Thrones, onde reviravoltas acontecem, onde traições são comuns e para amantes da primeira temporada, lembram bem o rei Aelle, que era rei do reinado de Nothumbria, mas quando todos pensavam que somente um rei apareceria para atormentar a vida de Ragnar e seus capangas, Ecbert aparecia sendo rei de Wessex, um rei sábio, destemido e totalmente estrategista.

O primeiro ano da série foi muito bem desenvolvido e integralmente em cima de grandes desafios e conflitos, mudanças de comportamentos e muito bem trabalhado até mesmo quando envolvia a crença de diversos personagens através de choques culturais.

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A segunda temporada de Vikings não perde muito tempo para iniciar o desenvolvimento de suas novas tramas. Uma das cenas mais tocantes do piloto da segunda temporada foi a cena de Lagertha deixando para trás Ragnar, devido a uma incursão do ‘’ herói’’ com outra mulher e engravidando da mesma (Princesa Aslaug) e assim a ausência da sabedoria de Lagertha,  faz com que a vida de Ragnar desande a tal ponto de que levado pelo espirito de desconfiança de Horik que o acordo de unir-se a Jarl Borg para atacar a Inglaterra venha a ser desfeito, e tal pacto soa como quebrar um copo de diamantes. Jarl Borg então impiedosamente em retaliação, volta ao reinado de Ragnar enquanto o mesmo está com Horik atacando a Inglaterra e acaba com suas terras, fazendo com que a família de Ragnar vá para as montanhas e se afaste de seu lar doce lar.

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O Rei Horik se nega a cumprir um acordo firmado e a série começa a levantar diversos questionamentos, que acabam sendo respondidos através como se espera dentro do programa. Contudo, o mais interessante é o retorno do espírito de Rollo, sua redenção que começa a ser trabalhada através de suas atitudes e de sua demonstração de lealdade com quem não se esperava pelas suas atitudes até então. Rollo é muito bronco, mas astuto a ponto de levantar sua mão contra Jarl Borg que tenta humilha-lo e diz que um dia espera ser sábio.

E assim toda a série entona-se para um lado estratégico e claro, épico a ponto de muitas batalhas sendo travadas a qualquer custo, doendo quem doer, morrendo quem morrer e sofrendo quem tiver de sofrer.

Sacrifícios na vida são muito mais que bem vindos, as vezes sacrificar seu tempo, sua vida por coisas que estão por vir depois, seria mais apto de consentimento e fazer com que toda a trajetória de uma vida mude assim, de repente, incansável no seu propósito, a trama tecida pelos atores que variam entre reais nórdicos e atores australianos e ingleses, cruza diversas referências e histórias, a princípio díspares, que se encaixam num mesmo caso escabroso e torturante, conturbador e reflexivo para amantes da grande e épica revolução da época.

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Com um pleno ritmo ágil e alta dose de drama, além das famosas cenas de nudez (que são bem poucas), mortes e afins, mostrando a limitação da época em se confiar ou não em companheiros de guerra tão veemente que tais ênfases sugerem experiências compartilháveis por qualquer pessoa nas mesmas circunstâncias e tornam um caso isolado levando à beira da loucura qualquer pessoa sã tentando raciocinar por que um individuo faria isso com alguém que por anos viveu junto e agora cospe no prato que comeu, certo FLOKI?

É uma produção que deve ser dada um grande atenção em todos os sentidos, não é atoa que apenas com três episódios, ironicamente o estúdio do History Channel resolveu graças a grande audiência para com a série, renovar a mesma e dar a eles uma terceira temporada e graças ao nosso grande Odin, iremos ao longo dos episódios nos deliciar com essa grande história.

É uma produção onde a contribuição dos atores engrandece o cânone e, mesmo admitindo-se que seja uma obra ainda em processo de experiência, já se credencia a despontar como uma realização excepcional, tanto que a série ganhou já uma terceira temporada. De nada valeria esta série se fossem atuações e respostas óbvias ao que já perpetuamos em nosso imaginário, e quem sabe, ir além é o que nos restaria vivenciar. Certo de que alguém poderia argumentar que não se trata de uma série muito original; afinal, a história dos Vikings é bem notória, apesar de duvidosa quando relacionada a seus Deuses impares, nada mais clássico e mundano.

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O episódio final é uma obra fantástica, digna do renome dos Vikings, não direi nada senão preencher sua alma de aflição caso não tenha assistido ainda, pois é sem dúvida o melhor episódio da série sem sombra de dúvidas. O que é pertinente dizer é um embate de guerra de tronos tão quântico que é de deixar boquiaberto.

E assim, se você procura ação e mortes violentas com muito, mas muito sangue, provavelmente você vá se sentir bem e feliz, pois a série se enverga para o que há de mais nítido quanto aos vikings e claro vai trilhando por este caminho (até mesmo pelo perfil do canal), e adicionando que se você está mais à procura de um bom drama histórico, interessado TAMBÉM na aventura, assim como nos possíveis conflitos que vão se desenrolar, a série pode cair como uma luva.

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Leandro não é jornalista, não é formado em nada disso, aliás em nada! Seu conhecimento é breve e de forma autodidata. Sim, é complicado entender essa forma abismal e nada formal de se viver. Talvez seja esse estilo BYRON de ser, sem ter medo de ser feliz da forma mais romântica possível! Ser libriano com ascendente em peixes não é nada fácil meus amigos! Nunca foi...nunca será!