CRÍTICA | ‘No Olho do Furacão’ é um filme de ação sem confiança no próprio gênero – Blah Cultural

CRÍTICA | ‘No Olho do Furacão’ é um filme de ação sem confiança no próprio gênero

No Olho do Furacão é um filme que repete roteiro e cenas já bem conhecidas do público: uma história rasa, com roteiro falho em alguns aspectos, mas com muitos efeitos especiais, que prendem a atenção do espectador.

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O longa-metragem poderia ser uma mistura entre Twister (1996) e O Plano Perfeito (2006), que conta a história de criminosos oportunistas que se aproveitam de uma tempestade para cometer um crime federal e efetuar um grande assalto, mas o tiro acaba saindo pela culatra ao ter uma agente federal em seu caminho para atrapalhar tudo. A trama tinha tudo para dar certo, com cenas de ação e momentos eletrizantes, mas, em sua maior parte, acabam sendo previsíveis ou impossíveis de acontecer.

No Olho do Furacão retrata dois acontecimentos que ocorrem simultaneamente em uma mesma cidade: a chegada de um subjugado furacão categoria 5 e um roubo a uma instalação federal de desmanche de notas. Criminosos planejam roubar US$ 600 milhões durante a passagem do furacão, mas acabam impedidos de entrarem no cofre, cujo o código é conhecido apenas por uma agente federal (Meggie Grace). O filme basicamente gira em torno da história central dos assaltantes em busca de Casey, a agente federal que pode abrir o cofre, em meio a isso também somos apresentados aos personagens de Will (Toby Kebbell), um meteorologista especialista em furacões e seu irmão Breeze (Ryan Kwanten), mecânico responsável por reparos na instalação sob ataque dos assaltantes.

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A trama demora para conseguir contextualizar os personagens ou para entender quem é quem. O foco da produção não é a história, não é produzir um bom roteiro ou trazer algo novo, e sim, simplesmente o puro entretenimento, e isso fica claro ao longo da projeção. Lembrando então disso, o único objetivo será prender o telespectador pelo visual, pelos grandes efeitos especiais, notas voando, coisas sendo destruídas, muito recorrente em produções do gênero. Geralmente produções do tipo não tem uma mensagem profunda, algo que motive o espectador e o faça pensar. Elas simplesmente existem com o intuito de mostrar que, quase duas horas assistindo uma película cheia de efeitos especiais de carros voando no meio de um furacão, não será perda de tempo.

No Olho do Furacão acerta nesse ponto, onde, mesmo as cenas sendo visivelmente apelativas, são bem produzidas e envolventes. Os efeitos são bem feitos ao ponto de não nos importarmos com as cenas “impossíveis” que aparecem. Se você curte a franquia de Velozes e Furiosos vai curtir esse aqui, pois ver Dominic Toretto voando entre carros e não quebrando um osso demonstra que também não irá se importar com caminhões voando, tiro, porrada e bomba sem uma gota de sangue ou suor sendo derramado.

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Outro ponto positivo é a narrativa objetiva. Não tem enrolação no que é proposto e não fica cansativo de acompanhar. O trio de atores principais está confortável em seus respectivos papéis, principalmente Meggie Grace, que convence sendo a protagonista e demonstrando bastante o empoderamento feminino. O filme cumpre muito bem o propósito imposto que é entreter, então, se o que você procura é só relaxar, com toda certeza é uma boa pedida.

Há cenas em que os dois protagonistas Toby Kebbell (“Planeta dos Macacos – O Confronto”“Quarteto Fantástico”) e Maggie Grace (“Busca Implacável”“Lost”) soam um pouco artificias, mas não é culpa deles, e sim de cenas com a colocação em meio aos diálogos de product placements (a chamada publicidade “indireta”, ou aqui no Brasil indevidamente chamado de merchandising). Em uma cena quase inacreditável, Will e Casey conversam sobre marcas de manteiga de amendoim e geleia enquanto estão refugiados se preparando para correr atrás dos vilões para proteger o dinheiro e evitar o assalto. A estratégia, longe de atrair o potencial consumidor, apenas expõe os atores e deixa tudo constrangedor.

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Ralph Ineson (“A Bruxa”“Guardiões da Galáxia”) e Ryan Kwanten (“True Blood”“Gritos Mortais”), acabam por demonstrar interpretações caricatas, como é de costume em filmes como esse, pois, como falei, todos não saem de sua zona de conforto em seus papeis.

Resta, assim, um filme de ação sem confiança no próprio gênero, mas, ainda assim, há cenas construídas pelo diretor como uma enérgica corrida de caminhões no final, e que valem a pena.

Após sucessos entre os anos 1990 e o início dos 2000, hoje o cineasta acumula alguns fracassos. Como exemplo recente,“A Sombra do Inimigo” (Alex Cross, 2012), não se pagou. Talvez No Olho do Furacão aponte para o mesmo caminho, em ser um filme que não terá excelente bilheteria e que gostaremos de ver num domingo a tarde, em casa…

::: TRAILER

::: FOTOS

::: FICHA TÉCNICA

Título original: The Hurricane Heist
Direção: Rob Cohen
Elenco: Toby Kebbell, Maggie Grace, Ryan Kwanten
Distribuição: Imagem/California
Data de estreia: qui, 07/06/18
País: Estados Unidos
Gênero: ação
Ano de produção: 2018
Classificação: 14 anos

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Publicitaria de formação, sempre gostei de escrever. Apaixonada por filmes e séries, sim, posso ser considerada seriemaníaca, pois o que eu mais gosto de fazer é maratonar! Sou geek principalmente quando falamos de Marvel e DC. Ariana incontestável, acho que essa citação de Clarice Lispector me define "Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa, ou forte como uma ventania. Depende de quando e como você me vê passar." Ah, como é de se notar pela citação, gosto de livros e poesia também.