CRÍTICA | Primeiro episódio de ‘Legion’ é animador!

Uma aposta arriscada em um personagem não muito conhecido e até considerado “disfuncional” para as histórias dos X-Men, essa série que vai contar um pouco sobre o filho de Charles Xavier, e um dos mutantes mais poderosos da Marvel, já está dando o que falar depois de seu primeiro episódio.

Parece que seu sucesso está sendo alcançado aos poucos, pois a série estreou com uma audiência baixa, talvez por não ser tão conhecido assim. como eu já disse, Legion (Legião), objeto muito mal explorado nos filmes, parece não querer explorar muito o mundo dos mutantes, e vem como uma espécie de “mind trip” no psicológico desse personagem.

Até agora a série não mostrou nada relacionado ao universo dos X-Men, talvez para não perpetuar a bagunça temporal que são os filmes e também para não criar nenhum vinculo com eles. Legion é uma aposta tão grande quanto o filme Deadpool(2016), mas um pouco mais ambiciosa.

Na trama, David Haller (Dan Stevens) é um jovem que desde a infância sofre com algumas “desordens mentais” e que atualmente está internado em um hospício onde foi diagnosticado com esquizofrenia. Durante seu tratamento, ele fica convencido de que tudo que ele passa, ouve ou vê são coisas de sua mente perturbada e que os médicos e os remédios o estão ajudando a melhorar. As coisas começam a fugir novamente do eixo quando aparece uma nova interna no hospício: Syd Barrett (Rachel Keller), que tem uma aversão a toques em sua pele. Os dois começam um “namoro”, e esse relacionamento acaba por levar David a um mundo em que ele achava que era sua doença, mas que na verdade é uma viagem sem volta ao autoconhecimento.

No primeiro episódio, talvez de forma intencional, eles se distanciaram do universo de mutantes. Este termo ainda nem sequer foi empregado na série. A crítica social que sempre esteve presente nas histórias dos X-Men ainda está ali de forma implícita, mas fácil de conceber por tratarem a doença como algo desconhecido e ser necessária uma intervenção médica para trata-la.

Legion é uma produção de alto nível que contempla não só as histórias em quadrinhos criadas por Chris Claremont e Bill Sienkiewicz, como, também, nos apresenta vários objetos da cultura pop e do mundo do Rock’n Roll, a começar pelo nome da personagem de Rachel Keller, Syd Barret, nome de um dos fundadores da banda Pink Floyd que também sofria de esquizofrenia. A trilha sonora, composta por músicas de Rolling Stones, The Who, Serge Gainsbourg, entre outras, tem um significado para cada momento do personagem, não sendo só um acompanhamento para a cena, mas sim uma parte integral da mente confusa de David.

O hospício onde eles estão internados se chama Clockworks e as roupas dos internos, de cor laranja. Estas são referências diretas ao Laranja Mecânica (1972), filme de Stanley Kubrick. E as referências cinematográficas não param por aí! A paleta de cores lembra muito os trabalhos de Wes Anderson, tanto no hospício como na sala de interrogatório. Os cortes descontínuos e a trama não linear lembram o estilo de Danny Boyle, e a narrativa lembra o ganhador do Oscar Charlie Kaufman – tanto que a série tem sido comparada ao Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (DIRETOR, 2004).

Com uma narrativa um tanto confusa, que brinca com o real e o imaginário, a produção nos coloca no mesmo patamar dos personagens, onde não sabemos o que de fato aconteceu, está acontecendo ou vai acontecer. Ela nos tira do nosso confortável posto de espectador para que tornemos parte da confusão que é a mente do protagonista. O primeiro episódio de Legion é uma obra prima e nos faz querer mais e torcer para que em cada episodio terminemos com mais curiosidade e satisfação por tê-la assistido.

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