REVIEW | ‘The Dwarves’ é uma breve lembrança de um jogo mediano sem maiores pretenções

Poucas pessoas nesse mundo sabem que The Dwarves é baseado numa série de livros de fantasia, muito famosa por sinal, escrita por Markus Heitz e que mostra a saga do anão Tungdil, um ferreiro erudito.  Este jogo é de ação em visão isométrica com elementos de RPG, desenvolvido pela KING Art e distribuído pela THQ Nordic.

Sem saber se o projeto poderia dar certo ou não, os desenvolvedores iniciaram um projeto de crowdfunding resolvendo angariar fundos para que o jogo fosse realmente realizado. Lançado no Kickstarter em 2015, logo conseguiram alcançar a meta e acabou tornando-se um dos lançamentos para Xbox One e PC mais aguardados de 2016. Finalmente lançado no início de dezembro de 2016, por ser um projeto praticamente indie, o jogo com 13,5 GB mais parece uma espécie de melhoria de Warcraft III com League of Legends. Ou seja: não é tudo aquilo que se esperava.

De cara, não temos muita informação sobre o game, ainda que sua introdução tente demonstrar o que se passará nos primeiros minutos de sua jogatina. O então anão Tundgil é convocado e precisa reunir o mais rápido possível um grupo de companheiros e embarcar em uma jornada épica para salvar Girdlegard, que era o reino pacífico entre Homens, Elfos e Anões, mas que não funciona mais como outrora. A ideia de criar um game de RPG onde o foco de toda a trama gira em torno dos anões é esplêndida. A trama, para lá de simples, apresenta um tom de muita dor e é macabra. Claro que, nesse quesito, a transição entre o livro e o jogo foi bem adaptada.

Quanto aos gráficos, o game, como muitos da atual geração, lembra jogos da geração passada e, por mais demorado que ele seja, nada justifica ter 13.5 GB de dados. Foi um suplício baixá-lo e ficamos apreensivos, já que o trailer gameplay não havia mostrado tantos detalhes assim. É sério: graficamente, nada empolga, mas vale mencionar que é nos CGIs que o jogo se mostra bem delineado. Os anões são muito bem modelados, barbas e cabelos com feições caricatas, como imaginamos que um anão deve ser. De certa forma, o ambiente é igualmente bonito com montanhas, florestas e todo tipo de cenário de fantasia de RPG com uma iluminação incrível.

As missões do jogo se mostram bastante variadas, propondo objetivos como escoltar uma pessoa, resolver problemas e despachar perigos da população. Ao usar o sistema de combate, que é de certa forma responsivo, torna-se divertido cumprir os objetivos mencionados.

No âmbito da sonoplastia, a dublagem, a trilha sonora e os efeitos especiais sonoros contidos no jogo são detalhes que precisam ser levados em conta. Bem como o jogo sugere, as vozes dos anões são bastante rústicas e grosseiras, enquanto uma mulher com voz suave narra a aventura (tipo uma soprano, sabe?). Aliás, o jogo vem com legendas em português, ou seja, você não terá maiores problemas para entender a mecânica dele.

Testado na versão para Xbox One, tivemos diversas quedas de framerate que chegaram a irritar, especialmente quando se acumulam muitos soldados na tela (quase 50 ao mesmo tempo) e há reais travamentos. Os loadings são longos e frequentes demais, até fica complicado muitas vezes aguardarPara ter uma ideia, enquanto o loading iniciava, fui beber água na cozinha, caminhei um certo tempo (cerca de 40 segundos) e, ainda assim, quando retornei, ainda estava em 70% de loading. Bem massante aguardar mais de um minuto para iniciar uma partida. Aliás, um desses travamentos me obrigou a reiniciar o console. Fiquei pensando que talvez fosse problema do HD externo que estaria conectado ao videogame, mas não. Removemos o mesmo e foi aí que detectamos que o jogo havia sido instalado no HD interno, logo o problema não seria o externo.

Um outro fator que pulveriza a experiência na jogabilidade é a complexidade para disferir golpes em seus inimigos. The Dwarves aposta em sempre colocar o jogador contra um grupo incomensurável de inimigos para passar uma sensação de desafio máximo, estridente e muito doido. Essa sensação, de cara, até parece que é real, visto que até então você não possui alguma habilidade no momento. Entretanto, ela é quebrada no primeiro golpe desferido depois de já ter uma certa noção do que fazer no game. É serio, o usuário ficará irritado por tentar conectar muitos golpes e não conseguirá, o que é bem brochante.

O VEREDICTO

Tecnicamente, The Dwarves é um desastre. E juro que fiz de tudo para remover essa impressão. Existe aquela atmosfera meio ‘viking’, que é excelente, e, ainda que não haja muito o que se envolver com a trama do jogo, eventualmente começamos a apreciar estas personagens e as suas motivações. No entanto, infelizmente, a desenvolvedora King Art Games foi infeliz na realização desta aposta que se iniciou no kickstarter. A THQ Nordic apostou suas fichas e, como qualquer outra distribuidora, tentaria dar uma chance ao jogo que tinha uma proposta, mas que não se cumpriu por completo. Se a produtora conseguir corrigir estas falhas através de atualizações e DLC’s, The Dwarves será um jogo digno de qualquer atenção. Até lá, não espere muito.

The Dwarves foi analisado pela equipe do Blah Cultural no console Xbox One. O game foi gentilmente cedido pela THQ Nordic.

TRAILER

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Leandro não é jornalista, não é formado em nada disso, aliás em nada! Seu conhecimento é breve e de forma autodidata. Sim, é complicado entender essa forma abismal e nada formal de se viver. Talvez seja esse estilo BYRON de ser, sem ter medo de ser feliz da forma mais romântica possível! Ser libriano com ascendente em peixes não é nada fácil meus amigos! Nunca foi...nunca será!