HomeDestaquesREVIEW | ‘Troll and I’ ou o genérico de The Last Guardian que deu certo!

REVIEW | ‘Troll and I’ ou o genérico de The Last Guardian que deu certo!

Disponível para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch (em breve) e Microsoft Windows desde 21 de março de 2017, Troll and I é um jogo de um estúdio (Maximum Games) que não é altamente conhecido – em especial aqui no Brasil -, e sequer é distribuído pela Sony como The Last Guardian foi. Desenvolvido pela Spiral House, diferente do game que aparentemente seria seu tutor, Troll and I evoluiu muito mais rápido e em menos tempo. O exclusivo da Sony foi anunciado para Playstation 3 e chegou anos depois (quase que uma década) na plataforma seguinte, contendo puzzles difíceis, uma aventura onde mostra que pode haver amizade entre o Belo e a Fera, mas que também se mostrou limitado demais para um game que prometia mais do que cumpriu.

Em Troll and I, vemos um universo que se passa na Escandinávia por volta de 1950, onde o protagonista da trama, Otto, sai um dia para caçar, e deixa sua mãe no vilarejo onde moram, enquanto isso, o mesmo vai buscando itens para sua jornada que o mesmo sequer saberia que viria a acontecer. Não é só uma questão de ser um Troll a aparecer na trama, mas também o fato de que você poderá ter como foco histórias do Yeti (ou Pé Grande, como preferir). Na verdade, se o título do jogo não fosse tão direto, saberíamos pouco do que se passa na história. Aqui não é muito diferente de como acontece em The Last Guardian.  Otto, após uma explosão onde sua mãe estava, corre para encontrá-la e se depara com bichos bem esquisitos que não estavam aos arredores de sua residência. O mesmo acaba se vendo preso em algumas ruínas ao lado da fera que não possui um nome, mas sabemos o que ela é. O jogo tenta seguir, de certa forma, com um tom coerente e minimalista, onde tudo se encaixa em um mundo aparentemente pequeno, mas com dimensões gigantescas.

Fica clara a envolvente trama que se desenrola baseada na profunda relação de confiança entre o garoto e o troll, após acontecimentos que mudaram o rumo de suas vidas. Juntos, eles precisam escapar desse local desconhecido e encontrar a mãe de Otto. É preciso frisar que o maior pilar do game não é o gráfico, que deixa um bocado a desejar, mas sim a jogabilidade, a trilha sonora (quase que ausente, deixando um clima de tensão) e a – não menos importante – trama.

O elo entre os dois é muito grande e não há uma resistência de ambos os lados. É como se um não existisse sem o outro e, automaticamente, você se pega apaixonado pela amizade que ambos acabam criando quase que de imediato. Conforme a relação dos dois personagens fica mais estreita e a confiança passa a fazer parte como elo principal, a jogabilidade também avança, criando novas possibilidades de uma maneira muito singular e específica, que só vejo funcionar em Ico e também o exclusivo da Sony já mencionado anteriormente.

A jogabilidade pode ser considerada o carro chefe aqui, visto que há muito do que vimos em “Prince of Persia”, “Assassin’s Creed”, “Styx”, entre outros games. Escalar uma parede, evitar ser visto e pegar o inimigo de surpresa (Stealth?) são alguns dos detalhes que vão fazer com que o jogador se recorde imediatamente dos títulos que acabo de mencionar. Uma outra similaridade com The Last Guardian é que a ausência de um mapa, o que dificulta a experiência para muitos, deixando você a ver navios em muitos momentos. Os diversos puzzles espalhados por aí fazem com que fiquemos andando em círculos para poder solucioná-los e isso é bem complexo, ainda que o jogo não tenha o formato de mapa aberto. A estrutura de jogo basicamente se resume a obstáculos e quebra-cabeças não tão bem elaborados assim, mas fica nítido que a parceria entre o jovem e o troll é sempre testada em puzzles e desafios peculiares que manterão ambos vivos e, em boa parte da experiência, longe de alguns problemas. Enquanto o garoto procura uma alavanca entre os escombros no topo de uma parede, por exemplo, o monstro deve se manter estrategicamente posicionado no chão segurando uma asa de um avião para que o menino consiga passar e com isso possamos atravessar para o outro lado do mapa.

Matar seus inimigos não é a função mais difícil. Na verdade, é uma das coisas mais ridículas que já vi. Não houve dificuldades para, por exemplo, chegar mais longe do que esperávamos, graças ao balanceamento que está bem irrisório. Troll and I deveria ter um nível de dificuldade mais apurado. A inteligência artificial do bicho funciona bem em grande parte dos trechos, mas é comum ver a fera perdida no meio do cenário sem saber o que fazer. No entanto, isso é algo óbvio visto que o mesmo não é um ser pensante, racional.

A direção de arte está de parabéns e se mostrou capaz de apresentar algo satisfatório, mesmo que para um estúdio de tamanho menor. Os ambientes são muito bem aproveitados no jogo e áreas que são convidativas a um possível retorno a elas, caso queira desfrutar de uma linda paisagem escandinava.

O VEREDICTO

Como uma espécie de versão melhorada de The Last Guardian, Troll and I possui uma narrativa tão cativante quanto, com gráficos até superiores do que seu concorrente direto e uma jogabilidade muito apurada, apesar da câmera atrapalhar em diversas vezes. De negativo, apenas os gráficos – que não são lá essas coisas – e a trilha sonora – que destoa um bocadinho. Mas ainda assim, é um jogo que me deixou muito satisfeito por sua coragem de existir, sabendo que o mundo é cruel com jogadores cada vez mais exigentes para jogos da atual geração. Recomendo.

Troll and I foi testado pela equipe do Blah Cultural no console PlayStation 4. O game foi gentilmente cedido pela Maximum Games.

TRAILER

 

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Leandro não é jornalista, não é formado em nada disso, aliás em nada! Seu conhecimento é breve e de forma autodidata. Sim, é complicado entender essa forma abismal e nada formal de se viver. Talvez seja esse estilo BYRON de ser, sem ter medo de ser feliz da forma mais romântica possível! Ser libriano com ascendente em peixes não é nada fácil meus amigos! Nunca foi...nunca será!