The Revenant | Cinema ou nada

Não é de hoje que diretores visionários colocam a arte na frente da sobriedade.  Afinal, o que é um  ator ter sua córnea arranhada e ficar temporariamente cego se em 1971 Stanley Kubrick entrega na mão da História cinematográfica a cena icônica da lavagem cerebral sofrida pelo personagem Alex DeLarge, vivido por  Malcolm McDowell,  em “Laranja Mecânica”; ou, diria Tippi Hedren,  alguns arranhões no rosto causados por um ataque de aves quando se é dirigida por Alfred Hitchcock na obra-prima  “Os Pássaros”?

Parece que Alejandro González Iñarritu concorda com métodos que levam elenco e equipe ao extremo para extrair disso o filme perfeito. O ganhador do Oscar de melhor diretor, desse ano, pelo também melhor filme, “Bridman”,  se viu em meio a tensões durante as filmagens de seu novo longa, The Revenant.  Alguns membros da sua equipe reclamaram das condições adversas e da falta de segurança durante as filmagens. O diretor optou por filmar no rigoroso inverno canadense,  na sequência própria do roteiro e com luz natural. Isso fez com que o orçamento do filme duplicasse para 135 milhões de dólares e as filmagens que iriam até março adentrarão agosto.

Algumas fontes pontuam os problemas:  ainda que ensaios sejam feitos, Iñarritu sempre muda de idéia na hora da filmagem; uma batalha que demorou duas semanas para ser filmada; um ator que foi arrastado nu pelo chão e outro que mergulhou na água em temperatura negativa.

Entre demitidos e desertores vale frisar que a culpa não recai apenas sobre a ambiciosa visão de Iñarritu, mas também sobre seu produtor, Jim Skotchdopole,  que recebeu críticas ao fazer um planejamento com carências e não comunicar, devidamente, os problemas ao diretor, impondo-o limites.

Dando voz ao cineasta mexicano, Inãrritu diz não ter o que esconder, e que ninguém se feriu durante as filmagens mesmo com a loucura que estavam fazendo.  Revela que ouviu sugestões de membros da equipe sobre como dinheiro e tempo poderiam ter sido economizados se ele tivesse optado por usar efeitos de computação. Ele defendeu que se tivessem optado por uma tela verde e todos se divertindo durante as gravações, o filme seria de baixa qualidade. Complementa com a desenvoltura de uma pessoa que acredita em sua visão e em um cinema honesto em entrevista ao site The Hollywood Reporter :

Quando você for ver o filme, vai ver o nível dele. E vai dizer ‘Wow’.

Baseado em eventos verídicos The Revenant tem Leonardo DiCaprio  na pele de Hugh Glass um caçador que, no século XIX, parte em uma empreitada para se vingar daqueles que o abandonaram e roubaram depois de ter sido atacado por um urso.

O filme está previsto para estrear em janeiro nos Estados Unidos e em fevereiro no Brasil. Enquanto isso assista ao trailer:

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Sua vida parece ser um eterno road movie. Na estrada, descobriu seu amor pelo cinema: cursou a New York Film Academy, em 2012, no ano seguinte entrou para a Escola de Cinema Darcy Ribeiro e agora está prestes a se formar em publicidade. Também escreve sobre assuntos variados em seu blog pessoal oautorretrato.blogspot.com.br Apenas espera chegar ao final dessa viagem se conhecendo um pouco melhor.